domingo, 20 de maio de 2012

Sensibilidade ao Glúten (Não Celíaca)

 
Se uma pessoa fizer o exame de sangue que detecta a doença celíaca, e o resultado sair negativo, o que fazer? Se o indivíduo apresentar sintomas que parecem estar relacionados ao consumo de glúten, é possível que ele tenha uma sensibilidade não celíaca ao glúten.
 
Pesquisas estimam que, nos EUA, 18 milhões de cidadãos apresentam esse tipo de sensibilidade não autoimune ao glúten. Isso representa seis vezes mais do que a quantidade de norte-americanos que sofre de celíase.

Os pesquisadores estão apenas começando a explorar a sensibilidade não celíaca ao glúten, mas já há algumas descobertas que podem ser compartilhadas com o público interessado.

Esse questionário foi criado para nos ajudar a entender melhor a sensibilidade não celíaca ao glúten e o que a diferencia da doença celíaca (DC), bem como da alergia ao trigo.

1. O que é sensibilidade não celíaca ao glúten?

O termo “sensibilidade não celíaca ao glúten” foi criado para descrever aqueles indivíduos que não podem tolerar o glúten e tem sintomas semelhantes àqueles com celíase, mas que não apresentam os mesmos anticorpos e dano intestinal vistos nos portadores da doença celíaca.

As primeiras pesquisas sugerem que a sensibilidade não celíaca ao glúten é uma resposta imune inata, o oposto de uma resposta imune adaptativa (como por exemplo, a autoimune) ou uma reação alérgica.

2. Mas o que é uma resposta imune inata?

Os seres humanos nascem com um sistema imune inato. Uma resposta imune inata não é um antígeno específico, significando que não é não específico ao tipo de organismo que combate.

Embora sua resposta contra os organismos invasores seja imediata, o sistema imune inato não uma memória imunológica aos mesmos organismos estranhos.

Sua resposta não é direcionada ao próprio tecido, o que resultaria na doença autoimune (como no caso da celíase).

Ao contrário da sensibilidade não celíaca ao glúten, a doença celíaca tem um antígeno específico (incluindo Anti-Transglutaminase Tecidual (Anti-tTG), Anti-Gliadina (IgA), antiendomisio (AAE), e em algumas crianças pequenas também anticorpos gliadina (IgG), que resulta no ataque do próprio tecido. Dano intestinal (enteropatia) é o resultado direto.

3. Quais são os sintomas da sensibilidade não celíaca ao glúten?

A sensibilidade não celíaca ao glúten compartilha muitos sintomas com a doença celíaca. Entretanto, de acordo com um relatório colaborativo publicado por Sapone et al. (2012), indivíduos com sensibilidade não celíaca ao glúten tem uma prevalência de sintomas extraintestinais, ou sintomas não-GI (não gastrointestinais), tais como dor de cabeça, “mente enevoada”, dores nas juntas, e dormência nas pernas, braços ou dedos. Os sintomas aparecem, comumente, horas ou dias após a ingestão do glúten, uma resposta típica de condições de imunidade inata como a sensibilidade não celíaca ao glúten.

4. Se os sintomas são tão similares, como diferenciá-la da doença celíaca?

A sensibilidade não celíaca ao glúten tem sido reconhecida clinicamente como menos severa que a DC. Não é acompanhada por “enteropatia, elevação da Anti-tTG, AAE, ou IgA, e aumento na permeabilidade da mucosa que são características da DC” (Ludvigsson et al, 2012).

Em outras palavras, indivíduos com sensibilidade não celíaca ao glúten não testariam positivo para a DC, em exames de sangue, nem tem o mesmo tipo de dano intestinal encontrado em indivíduos celíacos. Alguns indivíduos podem apresentar um dano intestinal mínimo, e isso desaparece com uma dieta livre de glúten.

As pesquisas também mostram que a sensibilidade não celíaca ao glúten não resulta no aumento da permeabilidade intestinal que é característica da DC.

Uma permeabilidade intestinal aumentada permite que toxinas, bactérias e proteínas dos alimentos não digeridas se infiltrem através da barreira intestinal e para dentro da corrente sanguínea, e pesquisas sugerem que seja uma mudança biológica precoce que vem antes do surgimento da várias doenças autoimunes.

5. A sensibilidade não celíaca ao glúten é diferente de uma alergia ao trigo?

Sim. Alergias, incluindo aquela ao trigo, estão associadas com testes positivos para IgE. O diagnóstico é feito através de testes de punctura cutânea, exames de sangue IgE específicos para trigo e teste de provocação alimentar. Indivíduos que tem sintomas relacionados ao glúten, mas testam negativo para uma alergia ao trigo podem ter sensibilidade não celíaca ao glúten.

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