quinta-feira, 20 de maio de 2010

Alergias Alimentares: quando elas são reais?

De acordo com um estudo promovido nos Estados Unidos – através do “National Institutes of Health” - foi constatado, talvez sem muita surpresa, que muitas pessoas que pensam ter alergias, na verdade não as tem.

O estudo revelou que cerca de 8 por cento das crianças e menos de 5 por cento dos adultos apresentam reações alérgicas à alimentos. No entanto, cerca de 30 por cento acreditam ter alergias alimentares.

Por que isso acontece?

Muitas vezes pode-se culpar o excesso de zelo dos pais ao restringir certos alimentos à dieta dos filhos. Uma dor de estômago após uma refeição pode ser o suficiente para que se atribua uma reação alérgica a determinado alimento. Banir da dieta uma fruta, um laticínio ou qualquer alimento sem uma comprovação médica de que seja prejudicial à sua saúde pode ser desastroso!

A prática usual de atribuir qualquer problema de saúde a uma alergia alimentar pode levar a um diagnóstico errado bem como à trivialização pela sociedade sobre o assunto.

Se, por exemplo, uma criança tem alergia ao amendoim, os pais, obviamente, devem avisar à escola ou babá para que tenham cuidado. Mas muitas vezes o cuidador pode não dar muita atenção ao problema, por ter a noção de que muitas pessoas dizem ser alérgicas, quando não o são.

Esses pesquisadores inclusive questionam a noção de que as alergias estariam aumentando no mundo. Talvez a dúvida sobre os números reais esteja associada aos diagnósticos errados e ao próprio auto-diagnóstico.


Exames de sangue, testes cutâneos e testes com alimentos são meios típicos que ajudam a determinar se um paciente sofre de alguma alergia alimentar. Mas é importante que o profissional da saúde, além de realizar os exames convencionais, converse com o paciente e examine seu histórico de consumo e reações aos alimentos.

Duas conclusões importantes desse estudo:

1-As pessoas precisam entender que alergia alimentar significa um tipo específico de reação séria a um alimento.

2-Se as pessoas estão encontrando reações a certos alimentos, ou estão preocupadas que uma alergia alimentar esteja interferindo em suas vidas, em sua dieta, vale à pena procurar uma avaliação de um profissional especialista em alergias.


O estudo em questão foi divulgado pela revista The Journal of the American Medical Association e faz parte de um projeto do National Institute of Allergy and Infectious Diseases.

O outro lado da questão...

Se por um lado, essa pesquisa revelou uma tendência meio “hipocondríaca” das pessoas com relação às alergias alimentares, não dá para ignorar o outro lado da moeda, ou seja, das pessoas que sofrem por meses, ou muitas vezes anos, por não serem diagnosticadas, ou diagnosticadas erroneamente, ao apresentarem alguma alergia alimentar. O caso da celíase ou intolerância ao glúten é exemplar. Quantos relatos podemos ler ou ouviu sobre crianças e adultos que passaram por todos os especialistas e fizeram todos os exames possíveis, até chegar ao diagnóstico correto.

Portanto, como foi alertado, é importante seguir os caminhos corretos – consultar um especialista, realizar testes - antes de “achar” que tem um problema de saúde, mas também é muito importante que os profissionais da saúde estejam preparados para reconhecer os sintomas de doenças como a celíase e outras alergias alimentares que não são, afinal de contas, tão incomuns.

leia mais:
http://jama.ama-assn.org/
http://www.niaid.nih.gov/Pages/default.aspx

2 comentários:

  1. Um ponto muito importante é o do profissional de saúde estar preparado para diagnosticar.
    Eu passei cinco anos até ser diagnosticada como celíaca e ainda hoje faço e refaço testes para saber com certeza se tenho alergia a ovo e outros tipos de proteína.
    É preciso informação e isto falta muito aqui no Brasil, muito triste, pois quem sofre é o paciente que por vezes tem que ir por conta própria atrás de soluções.

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  2. Oi Hane,
    concordo plenamente com você.
    O mesmo aconteceu com minha mãe, que levou 2 anos para ser diagnosticada, isso depois de resolvermos tomar a iniciativa de pesquisar seus sintomas em livros e na internet. Os médicos não gostam muito que os pacientes façam isso, até com certa razão, para evitar pré-julgamentos errôneos ou auto-medicação, mas as pessoas tem o direito de buscar esclarecimento em outras fontes. O importante é não perder a esperança e lutar para ter uma vida saudável.
    Boa sorte para você!
    bjs,
    Sabrina.

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